Aprender a fazer surf em Carcavelos: a primeira aula, relatada honestamente
Publicado
Nunca fiz surf na vida. Este é o contexto relevante para o que se segue.
Carcavelos é uma praia na costa de Estoril, a trinta e um minutos de Cais do Sodré na linha de Cascais. É uma praia longa e larga — talvez 700 metros de rebentação utilizável — que fica voltada a sudoeste e recebe ondulação atlântica do noroeste. Em junho, com vento offshore leve e 1 metro de altura de onda, é o que as escolas de surf chamam “condições ideais para principiantes”, o que se traduz aproximadamente como: ondas grandes o suficiente para surfar, pequenas o suficiente para não ir parar ao hospital.
Reservei uma aula por €35 através de uma escola cuja cabana fica no meio da praia. Hora: 10h00. Duração: duas horas.
A situação do equipamento
O fato de neoprene que me deram era de 3/2 milímetros — adequado para o Atlântico em junho, onde a temperatura da água ronda os 17-18 graus Celsius, quente o suficiente para sessões curtas mas frio o suficiente para se notar após vinte minutos. A prancha era uma longboard de 9 pés, com topo em espuma (uma “foamie” na terminologia das escolas de surf), que é a prancha correcta para principiantes porque flutua bem e não lhe abre a cabeça quando o atinge.
Éramos cinco no grupo. Um casal alemão, uma família com um filho adolescente, e eu. O instrutor — português, com quase trinta anos, a combinação exacta de paciente e específico — começou por nos colocar na areia.
A parte da areia (que importa mais do que parece)
Passámos quarenta e cinco minutos na praia antes de entrar na água. O “pop-up” — o movimento de passar de deitado de barriga para baixo a ficar de pé na prancha num único movimento fluido — parece simples e não é. Practiquei-o umas trinta vezes na areia. Falhei umas vinte dessas.
O instrutor corrigiu a posição do meu pé traseiro (demasiado para trás), a posição dos meus braços (demasiado rígidos), a direcção do meu olhar (a olhar para a prancha em vez do horizonte). Estes não são erros que se descobre a ver vídeos. Descobre-os quando alguém o observa a três metros de distância e diz “pé traseiro, mais à frente, olhos para cima” repetidamente até ficar.
Este é, acho, o principal argumento para fazer uma aula em vez de apenas alugar uma prancha e tentar adivinhar. O tempo na areia parece trivial. Não é.
Para dentro de água
Carcavelos em junho às 10h00 não está vazia, mas também não está cheia. A principal afluência de verão ainda não chegou, e a luz da manhã é boa. Entrámos até à cintura com as pranchas sob o braço, e o instrutor posicionou-nos na rebentação — as ondas partidas a chegar da rebentação principal — que é onde os principiantes devem estar.
A primeira onda que tentei apanhar: não consegui. Estava lento demais a remar.
A segunda: remar, levantar, cair imediatamente para o lado.
A terceira: fiquei de pé cerca de dois segundos antes de a prancha escapar de debaixo de mim e ir para baixo de água.
A quarta: fiquei, aguentei, surfei uns quatro segundos, cai para a frente.
A quinta: quatro segundos de novo, ligeiramente mais controlado.
No final da sessão tinha ficado de pé com sucesso em talvez oito de vinte tentativas. Isso, garantiu-me o instrutor, é um resultado perfeitamente respeitável para uma primeira aula. Não sei se é verdade ou se é o que dizem a todos os principiantes, mas estava inclinado a acreditar porque nessa altura estava demasiado cansado para ser céptico.
Como é Carcavelos enquanto praia
Separada do surf: Carcavelos é uma boa praia. É acessível (comboio de Cais do Sodré, €2,45 com cartão Viva Viagem, 31 minutos), suficientemente larga para não parecer cheia mesmo no verão, e tem uma boa selecção de bares de praia ao longo da duna de trás. A água é fria mas limpa. Há duches à entrada da praia.
A extremidade ocidental da praia, em direcção a Cascais, é mais calma — útil se tiver crianças que não estão a fazer surf. A rebentação concentra-se mais no centro e ligeiramente a leste.
Vale também a pena notar: se quiser água mais quente e uma ondulação consistente garantida, a Costa da Caparica do outro lado do Tejo é a principal costa de surf da zona de Lisboa. As ondas lá podem ser mais consistentes no verão. Mas chegar lá é ligeiramente mais complexo (barco de Cais do Sodré para Cacilhas, depois autocarro ou táxi). A principal vantagem de Carcavelos é o acesso directo de comboio.
Reserve uma aula de surf em Carcavelos ou na costa alargada de Cascais através de uma escola localVale a pena fazer?
Se tiver duas horas livres durante uma viagem a Lisboa e qualquer interesse no oceano: sim, inequivocamente. O comboio de Lisboa torna-a uma excursão realista de meio dia mesmo de uma estada curta. A aula em si tem um preço razoável (€30-45 para aula de grupo, €60-80 para aula individual), os instrutores das principais escolas são profissionais, e a experiência de surfar uma onda de verdade — mesmo por dois segundos, mesmo mal — é genuinamente estimulante de uma forma que não esperava.
Vale também a pena reconhecer: não vai fazer surf bem na primeira aula. Vai cair da prancha muitas vezes. Vai engolir um pouco de água salgada. Os braços vão doer no dia seguinte por causa do remo. Este é o acordo, e é um bom acordo.
O guia de surf perto de Lisboa cobre todas as praias, escolas e condições em toda a região — incluindo Ericeira (a reserva mundial de surf a norte) e Peniche (para surfistas experientes). Para principiantes, Carcavelos, Cascais ou a Costa da Caparica são os pontos de partida correctos. O guia de aulas de surf tem mais detalhes sobre reservas e o que esperar.
O roteiro de cinco dias em Lisboa inclui um meio dia de surf como uma das opções de excursão. Eu poria isto em qualquer roteiro onde a pessoa em questão tenha qualquer interesse pela água.