Ondas de inverno em Nazaré: a caça à época de ondas gigantes na Praia do Norte
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A mensagem de WhatsApp chegou às 7h15 de uma terça-feira de dezembro: “Ondulação norte a chegar, Praia do Norte pode ir a XL amanhã.” Tinha estado a seguir vagamente a época de ondas gigantes desde outubro e este era o primeiro alerta que parecia sério. Reservei um bilhete de autocarro.
Perceber o que está de facto a perseguir
O fenómeno das ondas gigantes de Nazaré é real e genuinamente extraordinário. O Canhão da Nazaré — um canhão submarino com 5 quilómetros de profundidade e 227 quilómetros de comprimento — canaliza a energia da ondulação atlântica em direcção à praia de uma forma que produz ondas significativamente maiores do que o que a costa circundante receberia de outra forma. Nas condições certas, a Praia do Norte vê ondas que atingem 20-30 metros de altura, medidas de cava a crista. O recorde, estabelecido por Rodrigo Koxa em 2017-18, está nos 24,38 metros.
Isto acontece aproximadamente 10-20 vezes por época de inverno, quando as ondulações das tempestades do Atlântico Norte se alinham com a geometria do canhão. Os meses de pico são novembro a fevereiro. Não é algo que se possa garantir ver em qualquer dia específico, e esta é a coisa honesta que qualquer pessoa que planeia uma viagem de inverno a Nazaré precisa de saber.
A logística desde Lisboa
Autocarro do terminal de autocarros de Sete Rios (Lisboa) até Nazaré: aproximadamente 2 horas, €11-14 dependendo do operador, aproximadamente 5-6 partidas por dia. A Rede Expressos é o principal operador. Alternativamente, as excursões a Nazaré e Óbidos desde Lisboa tipicamente incluem transfere em autocarro.
De Lisboa: excursão guiada de ondas gigantes a Nazaré combinando os penhascos e o medieval ÓbidosDe carro: 120 quilómetros pela A8, cerca de 1 hora e 20 minutos. O estacionamento na vila de Nazaré é limitado no verão; em dezembro não há problema.
Cheguei de autocarro às 10h30. O Atlântico era visível antes do autocarro parar — ondas com espuma branca visíveis da estrada acima da vila, o que é um sinal promissor.
Praia do Norte: o sítio
A Praia do Norte não é a praia principal de Nazaré (que é o amplo arco virado a sul em frente à vila). Fica a norte do promontório do Sítio — acessível ou contornando o cabeço a pé (20-25 minutos) ou de carro por outro caminho e estacionando no parque acima da praia.
O sítio de ondas gigantes é melhor visto do penhasco do Sítio, a 110 metros acima da água. Em dezembro fiquei na plataforma de observação com talvez 150 outras pessoas — maioritariamente portuguesas, alguns surfistas a observar e à espera, algumas famílias com crianças, algumas pessoas claramente, como eu, que tinham lido sobre isto e tinham vindo ver.
As ondas nesse dia: grandes, mas não históricas. A ondulação estava 5-6 metros ao largo, traduzindo-se em ondas que estimei em 10-15 metros na face na Praia do Norte. Nenhum surfista profissional estava na água — as equipas de reboque que enfrentam as ondulações verdadeiramente gigantes só lançam quando as condições atingem um nível diferente. Mas as ondas eram extraordinárias por qualquer medida normal. Cada série chegava com um som audível do penhasco — um estrondo profundo e baixo — e a espuma disparava trinta ou quarenta metros no ar.
O que fazer se as ondas não forem grandes
Este é o cenário realista: vai a Nazaré em dezembro e as ondas são apenas… ondas de praia. As ondas de praia de inverno atlântico ainda são maiores do que a maioria das pessoas já viu, mas não é o fenómeno de paredes de água a subir às alturas.
Nesse caso, a vila de Nazaré vale meio dia pelos seus próprios méritos. A cidade velha no planalto do Sítio (alcançada de funicular ou a pé por uma subida íngreme) tem uma capela fortaleza do século XVII e uma das zonas de secagem de peixe mais estranhas com que me deparei — pode ver a preparação tradicional de peixe seco nas vielas em redor da igreja. A praia principal é ladeada por casas coloridas num estilo específico de Nazaré, pintadas em cores primárias vivas que eram usadas no passado para identificar a que famílias pertenciam que barcos de pesca.
Combinar com Óbidos — uma vila medieval amuralhada a 30 quilómetros a sul — faz excelente sentido logístico. O guia de excursão a Óbidos cobre a vila em detalhe. Um único dia pode cobrir ambos: Nazaré de manhã, Óbidos à tarde, autocarro de regresso a Lisboa.
A avaliação honesta das probabilidades
Com base nos dados meteorológicos disponíveis e nos padrões típicos de tempestade atlântica, um visitante que passe uma semana em Nazaré entre novembro e fevereiro tem aproximadamente 40-60% de probabilidade de experimentar ondas iguais ou superiores ao limiar de 15 metros (onde as equipas de surf de ondas gigantes tipicamente se mobilizam). As ondulações de 20+ metros que geram as imagens de registo ocorrem talvez 4-8 vezes por época.
Se quiser maximizar as suas probabilidades, siga as previsões do MagicSeaweed ou Windguru para Nazaré, procure baixas do Atlântico Norte a avançar para leste entre a Islândia e a Escócia, e esteja preparado para mover-se rapidamente. As grandes ondulações são tipicamente previsíveis com 3-5 dias de antecedência.
Excursão de meio dia de ondas gigantes à Praia do Norte desde Lisboa — boa para combinar com Óbidos à tardeO que lhe posso dizer a partir de 3 de dezembro: mesmo sem uma ondulação histórica, ficar no penhasco do Sítio acima da Praia do Norte no inverno e ver o Atlântico a chegar vale a viagem de autocarro de duas horas. A escala está correcta. O som é real. E se acertar no timing, vê algo genuinamente sem precedentes.
O guia de excursão a Nazaré tem a logística completa e o que ver na vila. Para excursões de inverno em geral — o que funciona e o que não funciona de novembro a fevereiro — veja Lisboa no inverno.