Skip to main content
Pastéis de Belém vs Manteigaria: o resultado da prova cega

Pastéis de Belém vs Manteigaria: o resultado da prova cega

Os pastéis de nata são talvez a ideia culinária portuguesa mais exportada com sucesso: uma tartinha de creme num folhado estaladiço, polvilhada com canela e açúcar em pó, melhor comida quente do forno. Existem em todos os cafés de Lisboa e em metade dos cafés da Europa. Mas dois estabelecimentos reivindicam ser a casa da versão definitiva: a Pastéis de Belém e a Manteigaria.

Comprámos em ambos na mesma manhã de abril e fizemos a comparação da forma mais honesta possível.

Os concorrentes

Pastéis de Belém (Rua de Belém 84-92, perto do Mosteiro dos Jerónimos) afirma ser o original. A receita, supostamente desenvolvida pelos monges do Mosteiro dos Jerónimos no início do século XIX, foi comprada pela família Domingos Rafael Alves em 1837. Diz-se que a receita é conhecida apenas por três pessoas e nunca foi publicada. A loja é enorme, com azulejos azuis e brancos do chão ao tecto, e serve milhares de pastéis por dia.

Manteigaria (Rua do Loreto 2, Chiado; e Mercado da Ribeira) abriu em 2012 e posiciona-se como o desafiante artesanal contemporâneo. A produção é visível através de um painel de vidro: a massa estendida, as formas cheias, os tabuleiros a entrar e sair dos fornos a lenha. A loja do Chiado é pequena e a fila anda depressa.


A logística (isso importa)

Na Pastéis de Belém às 10h30 de um sábado de abril, a fila esticava-se pela rua abaixo. Esperei 25 minutos por uma encomenda para levar de quatro pastéis (€5,60 — €1,40 cada em 2024). A área de sentar lá dentro foi apresentada como alternativa por um funcionário, o que reduz a espera a quase zero, mas custa ligeiramente mais.

Na Manteigaria no Chiado às 11h15, esperei quatro minutos por quatro pastéis (€5,20 — €1,30 cada em 2024). Estavam quentes do forno que tinha saído aproximadamente oito minutos antes.

Isto importa para a comparação porque a temperatura no momento de comer é uma variável significativa para os pastéis de nata.


A comparação

Comemo-los um a seguir ao outro, sem saber qual era qual (um colega distribuiu-os de sacos de papel rotulados apenas A e B). Ambos ainda estavam quentes. Depois comemo-los de novo sabendo qual era qual, como confirmação.

Massa: A massa da Manteigaria estava mais uniformemente laminada — mais camadas, mais crocância, mais da qualidade estaladiça que os bons pastéis devem ter. A massa da Belém era boa mas ligeiramente mais grossa e menos precisa na laminação.

Creme: É aqui que a amostra da Belém se distinguiu. O creme tinha um carácter mais complexo, ligeiramente caramelizado — mais profundo e com mais ovo, com um ligeiro amargor na parte dourada de cima. O creme da Manteigaria era excelente — liso, com consistência correcta, não muito doce — mas ligeiramente mais neutro. Podia chamar-lhe mais refinado; podia também dizer que era ligeiramente menos interessante.

Uniformidade de temperatura: Ambos tinham ligeira variação entre as quatro amostras, o que é normal para a produção em grande volume.

Resultado geral: A votação foi 3-2 a favor da Manteigaria na prova cega. Quando soubemos qual era qual, a opinião deslocou-se ligeiramente para a Belém (viés de confirmação, provavelmente, ou o halo da história).


O contexto honesto

A versão honesta desta comparação é: ambos são excelentes, e a diferença entre eles é menor do que a fila na Belém faria supor. Os factores de experiência em redor — a fila, a densidade turística, o preço, o tempo de viagem até Belém — são mais significativos do que a diferença de sabor.

O que a fila na Pastéis de Belém representa é em parte um argumento de qualidade genuíno e em parte um argumento de marca e localização (estar ao lado do Mosteiro dos Jerónimos coloca-os à frente de todos os turistas que visitam Belém). O guia honesto da fila de Belém explica como gerir a experiência de Belém, incluindo a opção de levar frequentemente ignorada.

Se estiver a fazer a visita aos monumentos de Belém, este combina uma visita aos Jerónimos com a experiência do pastel de nata

A minha recomendação prática: coma em ambos. Um pastel quente de cada. Custa-lhe cerca de €3,50 no total e dá-lhe a experiência de comparação que este artigo não consegue replicar na totalidade. Se tiver de escolher um: Manteigaria no Chiado pela conveniência, sem fila, e produto consistentemente quente; Pastéis de Belém se já estiver a visitar o Mosteiro dos Jerónimos e tiver quinze minutos para gastar na fila.


Outros concorrentes a conhecer

Fábrica da Nata (várias localizações em Lisboa) faz um bom pastel em escala com decente consistência. Adequado para uma dose rápida.

Confeitaria Nacional (Praça da Figueira) é uma das mais antigas pastelarias de Lisboa e faz um pastel de nata competente ao lado de uma excelente gama de outras doçaria portuguesa.

Pastelaria Versailles (Avenida da República) é um café de época que faz pastéis de nata à maneira tradicional, sem pompa, e é adorada pelos locais que consideram o interesse turístico nos pastéis de Belém vagamente desconcertante quando há bons em cada bairro.

O guia dos pastéis de nata cobre o panorama em toda a cidade se quiser aprofundar. Para um quadro gastronómico mais amplo, o guia de onde comer em Lisboa é o recurso completo.