Qual casa de fado é realmente boa: cinco locais numa semana
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Tenho de ser claro sobre o que não estou a fazer aqui: não estou a nomear locais específicos e a classificá-los de 1 a 5, porque a qualidade dos locais muda com os artistas, e o fadista que me tocou em algo próximo das lágrimas numa terça-feira à noite pode não estar a actuar na quinta-feira que visita. O que lhe posso dizer é o que aprendi ao frequentar cinco tipos diferentes de local de fado ao longo de uma semana em agosto, e o que isso lhe diz sobre como escolher.
As categorias de local de fado em Lisboa
Há um espectro, e percebê-lo é mais útil do que qualquer recomendação específica.
Nível 1: Grandes locais de espectáculo-jantar (100+ lugares, ementa fixa, orientados para turistas)
São as operações de fado perto do Rossio, na rua turística principal, com ementas plastificadas em oito línguas e um sinal lá fora a mostrar que cartões de crédito aceitam. A comida é portuguesa e comestível. Os artistas de fado são profissionais — isto é importante — e tecnicamente competentes. Mas a atmosfera é a de um restaurante com um espectáculo anexo, não uma casa de fado no sentido tradicional. O público é quase inteiramente de turistas. Os artistas têm consciência disto e actuam em conformidade.
Fui a um destes locais na segunda-feira (primeira noite da minha experiência). Paguei €55 pelo jantar e o espectáculo. A comida era adequada. O fadista era bom tecnicamente. Não senti quase nada. O público aplaudiu nos momentos errados.
Nível 2: Casas de fado de Alfama de tamanho médio (40-80 lugares, jantar incluído ou opcional, público misto)
São os locais mais comummente recomendados por bons guias de viagem e por locais questionados por turistas. Ficam em Alfama, o que ajuda, e geralmente têm uma ligação genuína à história fadista do bairro. Os públicos são mistos — alguns turistas, algumas famílias portuguesas, alguns habituais. Os artistas podem incluir nomes estabelecidos e cantores mais jovens a construir reputação.
Frequentei dois destes, na terça e na quinta-feira. Terça: a fadista tinha quarenta e poucos anos, cantou fado corrido e fado menor com acompanhamento de guitarra e viola baixo, e num momento toda a sala ficou em silêncio de uma forma que não pareceu organizada. €40 pelo jantar e três artistas. Quinta: ligeiramente menos memorável, embora ainda genuinamente bom.
Reserve uma noite numa casa de fado típica em Alfama — jantar mais três artistas, grupo menor do que os espectáculos turísticosNível 3: Pequenos clubes de fado vadio (menos de 30 lugares, sem ementa fixa, os locais trazem as suas próprias guitarras)
O fado vadio é o fado na sua forma social original: cantores amadores que podem ou não ter bebido, a actuar para um público de vizinhos, amigos e ocasionais desconhecidos. Há um punhado de sítios em Alfama e Mouraria onde isto ainda acontece — salas pequenas, mesas simples, vinho da casa, sem ementa além do que está escrito num quadro.
Quarta-feira à noite: encontrei um sítio recomendado por um lisboeta que conheci num café. Não o vou nomear porque sítios como este não precisam de atenção turística; precisam de permanecer o que são. O canto nessa noite variou de amador a extraordinário — uma mulher, talvez com sessenta anos, levantou-se e cantou três canções sem acompanhamento (invulgar) e a sala não fez um som durante quatro minutos.
Nenhum operador turístico vai reservar-lhe uma mesa aqui. Este é o ponto.
Nível 4: Fado contemporâneo em locais não tradicionais
Sexta-feira: um espectáculo de fado contemporâneo num centro cultural perto de Belém, com artistas mais jovens influenciados pela tradição mas a trabalhar num modo mais conscientemente artístico. O local era uma sala de concertos. O público era maioritariamente português, mais jovem, culturalmente activo. A música era excelente e complexa, mas diferente do que tinha ouvido durante toda a semana.
Não é fado tradicional, mas genuinamente interessante como forma cultural.
O que aprendi sobre como escolher
O melhor indicador da qualidade de uma casa de fado não é o preço, não é a localização no mapa, e não é quantas avaliações tem. É a proporção de portugueses para não portugueses no público.
Uma casa de fado que os portugueses frequentam — porque gostam da música, não porque estão a entreter familiares em visita que querem marcar uma caixa — será melhor do que uma que existe inteiramente para o turismo. Pergunte ao pessoal quem costuma vir. Pergunte ao pessoal local real do seu hotel (não ao concierge a trabalhar num acordo de comissão). Leia em português em fóruns locais.
O passeio de fado vadio com petiscos portugueses chega a locais mais pequenos e autênticos do que os principais espectáculos de jantarO guia completo de comparação de casas de fado desagrega os tipos de local específicos em Alfama e como encontrar o que é certo para si. O guia de fado em Alfama cobre a história e o que ouvir. E se quer perceber porque o fado soa da forma que soa, a história do fado genuinamente vale a pena ler antes de ir.
O teste de sábado
No sábado voltei ao local de Nível 2 a que tinha ido na terça-feira. A mesma casa, mas uma noite de sábado — uma fadista diferente, uma sala mais cheia, uma energia diferente. O espectáculo era bom mas não ao nível de terça-feira. A mesma casa, os mesmos padrões de qualidade, uma noite diferente.
Esta é a variável que nenhuma avaliação consegue ter em conta: quem está a cantar na noite específica que vai. A melhor estratégia é ir com expectativas razoáveis (as casas de fado em Alfama são geralmente mais fiáveis do que os locais orientados para turistas na rua principal), ir a uma casa com uma ligação genuína a Alfama, e aceitar que por vezes ouvirá algo transcendente e por vezes ouvirá um muito bom profissional a fazer o seu trabalho.
Ambos valem a pena experimentar. Um é inesquecível.