Museu Nacional dos Coches em Belém — carruagens reais de Portugal
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Vale a pena visitar o Museu dos Coches em Lisboa?
Sim, se tiver algum interesse na cultura material da corte real portuguesa. A coleção de carruagens cerimoniais dos séculos XVII e XVIII é a melhor do mundo. O destaque é o conjunto de três carruagens barrocas enviadas pelo rei Filipe III de Espanha ao papa Clemente XI em 1716 — objetos de artesanato extraordinário e opulência quase obscena. A entrada custa cerca de €10.
Não é um museu qualquer
O Museu Nacional dos Coches ocupa o edifício de museu novo mais impressionante construído em Lisboa nos últimos anos: uma vasta estrutura retangular do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, inaugurada em 2015, que se situa no distrito cultural de Belém como um navio de betão e vidro permanentemente atracado junto ao mais antigo edifício da picadaria do Palácio Real de Belém.
A coleção lá dentro é a maior assembleia mundial de veículos cerimoniais puxados a cavalo: 70 coches, carruagens, liteiras e palanquins abrangendo cerca de 400 anos de vida da corte portuguesa, desde uma cadeirinha de mão funcional do início do século XVII até à elaborada landau de gala dourada usada pelo rei Carlos I no final do século XIX. Se a palavra “carruagem” sugerir algo empoeirado e menor, entenda que estes objetos estão entre as obras de arte tridimensionais mais extravagantes produzidas na era barroca — escultura, pintura, douramento e trabalho em couro combinados em veículos desenhados para projetar o poder real e eclesiástico a um nível de intensidade quase alucinatório.
A coleção
Os Coches Cerimoniais de Filipe III
A peça central do museu e um dos objetos mais notáveis de qualquer instituição portuguesa é o conjunto de três coches encomendados por Filipe III de Espanha (Filipe II de Portugal — o rei espanhol que governou Portugal em união pessoal) e enviados como presente ao papa Clemente XI em 1716. Estes não são veículos que foram alguma vez usados para viajar. São esculturas móveis: o coche central, o “Coche dos Oceanos”, mede quase três metros de altura, coberto de entalhes dourados de criaturas marinhas, figuras alegóricas representando os continentes e troféus marciais, cada superfície viva com detalhe. Olhando para ele durante 15 minutos ainda estará a descobrir novas figuras na composição.
Os outros dois coches do conjunto — representando a Europa e o poder português — são igualmente extraordinários. Os três juntos constituem um programa barroco completo de ideologia real: império, religião e legitimidade dinástica expressos em carvalho, douramento e veludo.
Coches de corte dos séculos XVII e XVIII
O resto da sala principal cobre o desenvolvimento da carruagem real portuguesa de veículo funcional a declaração cerimonial. Os coches usados por Manuel I (que encomendou o Mosteiro dos Jerónimos a algumas centenas de metros daqui) estão entre os mais antigos coches reais sobreviventes do mundo — simples pelos padrões posteriores, mas imensamente dignos. No século XVIII, sob João V (que também financiou a construção do Palácio de Mafra), os veículos tinham-se tornado enormes — largos o suficiente para serem estáveis ao passo de marcha exigido pelas procissões formais, cada superfície dourada.
Veículos do século XIX e de transição
A secção posterior da coleção inclui veículos do período da Monarquia Constitucional: os berlins de gala usados para procissões reais no século XIX, carruagens de viagem desenhadas para uso real em estradas más (repare nos sistemas de suspensão) e o equipamento dos estábulos reais incluindo arreios e librés.
O edifício original da picadaria
O museu usa tanto o novo edifício de Mendes da Rocha como a picadaria do século XVIII do Palácio Real de Belém. O edifício antigo — uma longa sala abobadada que era a picadaria formal do palácio — exibe uma seleção mais pequena de veículos mas num ambiente que dá uma ideia mais clara de como estes objetos existiam no seu contexto original. Os painéis de azulejos nas paredes da picadaria merecem ser examinados pelas suas representações de exercícios equestres do século XVIII.
Informação prática
Morada: Av. da Índia 136, 1300-300 Lisboa (novo edifício principal). O edifício antigo (Praça Afonso de Albuquerque) fica a 5 minutos a pé — ambos estão incluídos no mesmo bilhete.
Horário: Terça a domingo, das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30). Fechado às segundas-feiras.
Entrada: Cerca de €10 para adultos. Tarifa reduzida (cerca de €5) para jovens entre 13-25 anos, estudantes e seniores com mais de 65 anos. Gratuito para menores de 13 anos. Entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês, da abertura até às 14h00.
Lisboa Card: Coberto — consulte o guia do Lisboa Card e a calculadora para determinar se o cartão poupa dinheiro no seu itinerário planeado.
Como chegar:
- Comboio desde o Cais do Sodré até à estação de Belém — 12 minutos, comboios a cada 20-30 minutos. O museu fica a 5 minutos a pé para oeste desde a estação.
- Eléctrico 15E desde a Praça da Figueira ou a Praça do Comércio até Belém — cerca de 30 minutos.
- O percurso ciclável ribeirinho desde o Cais do Sodré demora cerca de 25 minutos a um ritmo tranquilo.
Reserve bilhetes de entrada no Museu Nacional dos Coches com audioguia — o audioguia fornece contexto sobre os monarcas e ocasiões específicas associados a cada veículo.
Combinar com o resto de Belém
O Museu dos Coches faz parte de um denso distrito cultural. O Mosteiro dos Jerónimos fica a 600 metros para leste, a Torre de Belém mais 600 metros a oeste ao longo da orla marítima, e o MAAT fica logo além da torre. Um meio dia completo em Belém corre tipicamente assim: chegar às 09h30, Museu dos Coches quando abre (para chegar antes dos grupos), caminhar para os Jerónimos às 11h30, almoço na área, e depois a torre ou o MAAT à tarde.
O tour guiado combinado de Belém, Jerónimos e Museu dos Coches agrupa os três principais locais numa única manhã com um guia local — útil se quiser contexto narrativo em vez de exploração autoguiada. As versões com guia deste circuito tendem a cobrir a história política do período manuelino (sob o qual Belém foi desenvolvida) de formas que os audioguias não cobrem.
Os Pastéis de Belém, a padaria original de pastéis de nata, fica na Rua de Belém, a 10 minutos a pé do Museu dos Coches. Há consistentemente uma fila. Se tiver mais de 20 pessoas, vá à janela de take-away dos Pastéis de Belém no lado do edifício em vez de esperar por uma mesa lá dentro — a fila do take-away anda mais depressa. Os pastéis são melhores quentes. Consulte o guia dos pastéis de nata para contexto sobre a fila de Belém versus alternativas noutros locais da cidade.
Quem vai gostar mais deste museu
O Museu dos Coches funciona bem para:
- Qualquer pessoa interessada em cultura material, história do artesanato ou artes decorativas — o nível de realização técnica nestes objetos é genuinamente notável.
- Crianças que respondem à escala e ao espetáculo — os maiores coches são objetos enormes, e o douramento sob a iluminação do museu tem uma qualidade teatral que impressiona a maioria das crianças de oito anos.
- Visitantes interessados na cultura barroca europeia e na vida da corte.
- Entusiastas de arquitetura — o edifício de Mendes da Rocha é uma obra significativa de arquitetura contemporânea e merece ser vista por si só.
Funciona menos bem para visitantes principalmente interessados em belas-artes (pintura, escultura no sentido convencional) ou para quem tem tempo limitado e está a dar prioridade aos Jerónimos ou à Torre de Belém. Se só tiver duas horas em Belém, o mosteiro e a torre são geralmente mais recompensadores, a menos que as carruagens especificamente lhe interessem.
Conselhos honestos
O novo edifício pode sentir-se frio no inverno — é uma grande sala de betão com controlo climático. O ar condicionado no verão é eficaz, tornando as visitas de meio-dia confortáveis mesmo em agosto.
O museu fica movimentado a partir das 11h00, especialmente quando chegam autocarros de turistas do centro de Lisboa. Chegar à abertura (10h00) e passar os primeiros 45 minutos na grande sala antes de chegarem os grupos dá-lhe os coches de Filipe III quase para si próprio.
A loja do museu vende reproduções de alta qualidade e livros de história de arte — acima da média. O café está dentro do edifício principal e é funcional em vez de notável. Há melhores opções de almoço na vila de Belém (as pequenas ruas atrás do mosteiro) ou na LX Factory (10 minutos a pé para leste, sob a ponte).
Para o planeamento do transporte entre os locais de Belém, o guia de meio dia em Belém tem um horário trabalhado. Para o quadro completo da cena museológica de Lisboa, consulte quantos dias passar em Lisboa.