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Coleção Berardo no CCB — arte moderna em Belém

Coleção Berardo no CCB — arte moderna em Belém

O Museu Coleção Berardo é gratuito em Lisboa?

A Coleção Berardo no CCB ofereceu historicamente entrada gratuita aos sábados, embora esta política possa mudar — verifique antes de visitar. A entrada normal é de cerca de €7. A coleção inclui obras importantes de Picasso, Warhol, Francis Bacon e Duchamp, com 900 peças de arte moderna e contemporânea de 1900 até ao presente.

Arte moderna num centro cultural

O Museu Coleção Berardo ocupa o rés-do-chão e o primeiro piso do Centro Cultural de Belém (CCB), uma grande instituição cultural multidisciplinar inaugurada em 1992 para a presidência portuguesa das Comunidades Europeias. O próprio edifício é uma peça significativa de arquitectura cívica pós-moderna — calcário pesado, angular, ocupando um quarteirão inteiro entre o Museu dos Coches e a frente ribeirinha do Tejo. Foi controverso quando construído e continua a ser uma estrutura que divide opiniões: uns adoram a sua solidez, outros acham-na opressiva num bairro de exuberância manuelina.

No interior, a Coleção Berardo apresenta cerca de 900 obras da colecção de José Manuel Rodrigues Berardo, um empresário luso-britânico que acumulou uma das mais abrangentes colecções privadas de arte do século XX e XXI reunidas fora da América do Norte. A colecção chegou ao CCB em 2006 em regime de empréstimo de longa duração e tem sido aqui exposta desde então, organizada tematicamente e por movimento em vez de estritamente cronológico.

O leque é extraordinário: de obras cubistas iniciais de Pablo Picasso e readymades de Marcel Duchamp a pinturas pop de Roy Lichtenstein, serigrafia de Andy Warhol, estudos em tríptico de Francis Bacon e um acervo substancial do modernismo português que coloca os nomes internacionais em contexto local.


O que ver

Início do século XX: cubismo e surrealismo

A colecção abre com os movimentos que romperam com a representação figurativa: obras cubistas de Picasso (várias peças significativas, não meramente exemplos periféricos), Fernand Léger e Juan Gris. A secção do surrealismo inclui obras de Salvador Dalí, René Magritte e Max Ernst — o Magritte em particular é uma das peças mais marcantes da colecção, uma tela de médio formato que detém a maioria dos visitantes.

Marcel Duchamp está representado por reproduções e documentação dos seus readymades, o que levanta questões sobre o que “a colecção” significa para obras conceptuais — um dilema curatorial legítimo que o museu reconhece em vez de escamotear.

Expressionismo abstracto e arte europeia do pós-guerra

Obras de Mark Rothko, Clyfford Still e Franz Kline estão expostas ao lado dos abstractionistas portugueses que trabalhavam em paralelo mas eram largamente desconhecidos fora de Portugal até recentemente. Esta justaposição é um dos pontos fortes da colecção: contextualiza o modernismo português no âmbito de movimentos internacionais sem fingir que o trânsito era igual em ambas as direcções.

Arte pop

O acervo de Warhol é significativo: múltiplas obras em serigrafia de diferentes séries, incluindo várias das edições Marilyn e Mao. As pinturas de banda desenhada de Roy Lichtenstein, James Rosenquist e Tom Wesselmann completam a secção americana de arte pop. A presença de David Hockney é um lembrete de que a arte pop não foi um fenómeno exclusivamente americano.

Francis Bacon

As obras de Bacon estão entre as peças mais poderosas da colecção. Várias pinturas figurativas das décadas de 1960 e 1970 — figuras atormentadas características em salas isoladas, tinta aplicada com uma violência que contrasta completamente com as serigrafias de Warhol nas salas adjacentes. Bacon viveu brevemente em Cascais e tem uma ligação documentada a Portugal; o Berardo é um dos melhores sítios para ver obras significativas de Bacon fora de Londres.

Arte contemporânea e portuguesa

As salas finais incluem instalação, vídeo e trabalho fotográfico das décadas de 1990 e 2000, incluindo artistas portugueses como Julião Sarmento e Pedro Calapez. A curadoria é mais densa e menos confiante aqui do que nas secções históricas, mas o acervo do modernismo português merece estudo — artistas de genuína qualidade internacionalmente subexpostos.


Informação prática

Morada: Praça do Império, 1449-003 Lisboa (no interior do CCB, entrada na Praça do Império virada para o Tejo).

Horário de funcionamento: Diariamente das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30). Aberto todos os dias da semana — o Berardo não fecha às segundas ou terças-feiras ao contrário de muitos outros museus de Lisboa.

Entrada: Cerca de €7 para adultos. Tarifa reduzida (cerca de €3,50) para estudantes e seniores. Menores de 18 anos gratuito. Historicamente, o museu ofereceu entrada gratuita aos sábados — mas esta política já mudou no passado, por isso verifique no site oficial antes de planear a sua visita em torno disso.

Lisboa Card: Verifique se o Berardo está incluído no esquema actual do Lisboa Card — a cobertura tem variado. Use a calculadora do Lisboa Card para determinar o melhor valor para o seu itinerário.

Como chegar:

  • Comboio desde o Cais do Sodré até à estação de Belém — 12 minutos. O CCB fica a 3 minutos a pé da estação, directamente em frente ao Museu dos Coches.
  • Eléctrico 15E desde o centro de Lisboa.
  • O percurso ciclável ribeirinho a partir do Cais do Sodré demora cerca de 25 minutos.

Um circuito de arte em Belém

A Coleção Berardo e o MAAT formam uma combinação natural para visitantes com interesse artístico aprofundado. O Berardo cobre o século XX em profundidade; o MAAT foca-se na arte contemporânea e mediática desde aproximadamente 1990 até ao presente. Os dois edifícios estão a 300 metros de distância. Permitir 90 minutos em cada, com um passeio pela frente ribeirinha entre eles, constitui uma manhã séria de visita de arte contemporânea.

A visita guiada a pé de Belém com entrada nos Jerónimos foca-se na dimensão cultural e histórica do bairro em vez de especificamente na arte — boa se quiser perceber porque é que Belém se tornou o que é, desde a Época dos Descobrimentos até aos investimentos culturais do século XX representados pelo CCB.

Para um dia completo em Belém, veja o guia de meio dia em Belém para um itinerário trabalhado que cobre o Berardo, o MAAT, o Museu dos Coches, os Jerónimos e a Torre de Belém em sequência.


Como se compara com o Gulbenkian

Tanto o Berardo como a Coleção do Fundador do Gulbenkian são grandes museus de colecções privadas em Lisboa. Não são concorrentes — cobrem terreno completamente diferente e estão a 10 quilómetros um do outro.

O Gulbenkian é uma colecção mais profunda e mais pessoal com 5000 anos de âmbito, reflectindo o extraordinário gosto de um homem através das civilizações. O Berardo é mais abrangente na sua cobertura da arte ocidental do século XX e inclui mais obras genuinamente famosas (as peças de Picasso, Warhol e Bacon são mais reconhecíveis para a maioria dos visitantes do que os manuscritos medievais do Gulbenkian). O Centro de Arte Moderna (CAM) no campus do Gulbenkian faz a ponte entre os dois — modernismo português em contexto internacional.

Se tiver de escolher um: o Gulbenkian pela profundidade e singularidade; o Berardo pela abrangência da arte moderna e a conveniência de estar em Belém ao lado de outros locais importantes.


Dicas honestas

O edifício do CCB tem boa sinalização mas uma disposição interna confusa. A entrada do Museu Berardo fica no rés-do-chão virada para a Praça do Império — não é a entrada principal do CCB no lado norte do edifício. Procure o logótipo e a sinalização do Berardo a partir da praça.

O café-esplanada do CCB (acessível separadamente do museu) tem bom café e vistas para o rio. É uma opção melhor para uma pausa pós-visita do que o café interno do museu.

Os sábados de manhã com entrada gratuita podem ser genuinamente movimentados, particularmente no verão. Se estiver a pagar a entrada e quiser mais espaço, vá numa manhã de dia de semana.

A colecção permanente é complementada por exposições temporárias rotativas nas galerias superiores do CCB — estas têm custo separado e podem ser excelentes ou rotineiras dependendo da exposição. Verifique o que está em cartaz durante a sua visita. Veja o guia de museus de Lisboa para ajuda na definição de prioridades entre as principais instituições da cidade.

Uma visita combinada a Belém, Jerónimos e Museu dos Coches é uma opção útil se quiser contexto narrativo guiado para todo o bairro cultural de Belém — algumas visitas incorporam também uma paragem no CCB/Berardo.